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Pós-Modernidade

Scanner da alma

alienigena lendo os pecados de um personagem sob efeito da droga D

O filme “Homem Duplo”, dirigido por Richard Linklater a partir de uma história do visionário Philip K. Dick sugere um futuro próximo que parece já estar em andamento, com ligeiras alterações. Audiência desse filme realizada em 20 de novembro de 2009, na Faat, objetivou acionar uma discussão sobre esta produção de modo a localizar, refletir e evidenciar possíveis relações deste filme com a contemporaneidade, especialmente no tocante à pós-modernidade.  Essa tarefa não é tão difícil se comparada com a que todos os interessados vão ter para posicionar-se frente ao mundo em que vivem e com o qual terão de lidar.

Imaginem um personagem policial viciado, com uma esposa e duas filhas, e que tem uma missão: conviver e vigiar seus próprios amigos para descobrir quem revende uma droga chamada “D”, e que para isso também precisa consumi-la.

Identidades simuladas por meio de vestimenta especial, amizades falsas, consumo de droga até as últimas consequências, bem como o fato de viver vigiado por outros agentes 24 horas são alguns dos ingredientes inseridos nesta ficção.

De acordo com Alexandre Matias, além de viver uma “constante guerra entre os hemisférios direito e esquerdo de seu cérebro”,  este policial (apelidado de Fred) interpretado por Keanu Reeves (Bob Arctor), experimenta também flashs de sua memória que passa a ficar confusa tal como a dos demais personagens.

Matias frisa que estes recursos eram comumente utilizados por K. Dick (1928-1982), que  “filosofava fingindo escrever histórias futuristas”. Ocorre que, entrelinhas, vários elementos parecem ser passíveis de estarem ocorrendo, estreitando as fronteiras entre o real e o irreal, como “o tráfico de drogas como justificativa para a paranóia generalizada” —individual e institucional—, bem como “a natureza da existência e da realidade” , o “propósito da vida … e  o sentido de tudo”, sem dizer  o isolamento, a desconfiança permanente, a ausência da liberdade em nome de uma sociedade aparentemente vigiada para tornar-se segura, entre outros (des)valores pertinentes. Detalhe: o título original do filme Scanner Darkly basea-se em um trecho da Bíblia:  Coríntios 13:12, que diz: “Porque, agora, nós vemos através de um espelho, obscuramente” (em inglês: “For now we see through a glass, darkly”).

Na medida em que a pós-modernidade é um movimento que circunscreve a diluição do espaço-tempo, põe em destaque o prazer imediato em detrimento do descarte das coisas futuras, entre outros aspectos, certamente as gerações atuais precisam refletir sobre a diferença que pode haver entre servir-se disso aleatoriamente, utilizar tais recursos acentuando estes aspectos, ou, quem sabe, entender estas variáveis para elucidar outras pessoas. O filme parece mostrar que geralmente por traz destes modelos alguém sempre coloca em prática as regras do “ganhar e perder” para se ter algo.  A dificuldade contemporânea reside na diluição disso em vários conceitos, direitos, deterioração de valores, entre outras variáveis que certamente vão fomentar os comentários a seguir.

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Fontes:  Gardenal, WarneBros , IMDB, Philipkdick , Bocadoinferno, Metacritic , SaindodaMatrix , Pós-modernismo , Cidade na pós-modernidade

3 Comentários»

  Luciana Meinberg wrote @

Se compararmos o filme “O homem duplo” com um conceito amplo do Pós-modernisno, perceberemos que possuem um mesmo viés. Um homem em conflito com ele próprio, sem saber o que realmente é, ele é o pai de família? o policia? o viciado? Vive em uma sociedade livre ou extremamente controladora?
O diretor tenta passar um leque de sentidos à quem assiste, com diálogos pesados e fortes. O efeito de rotoscopia é um grande influenciador desses sentidos, dando a impressão de que distinguir o real ou a ficção se torna uma missão praticamente impossível.
O pós-modernismo, basicamente trata-se disso. Uma pluralidade de sentidos, conflitos internos, reflexões, individualismo, anormalidades, revolução na sociedade, artes e comunicação. Repleto de signos e sensações. O hiper-realismo compõe o pós-modernismo.
Vivemos em um mundo frágil em que tudo parece mentira. As novas tecnologias podem ter feito um mundo mais simplificado, mas isso gerou consequencias inimagináveis à essência do ser humano.
Trazendo isso ao filme de Richard Liklater podemos obter uma variedade de significados e diferentes interpretações, será mesmo que é possível? Existe mesmo uma verdade irrefutável? Ou uma mentira paradoxal?

  Tamili Machado wrote @

O filme impressiona por tratar do assunto drogas como uma solução para problemas que ela mesmo causa, que por sinal são muitos, além dos desafios para se conseguir resultados positivos.

  Stela Up wrote @

Ao identificar o “Homem Duplo” com o indivíduo da cultura de massa, uma visão crítica abre-se sobre a ideologia que é vivida atualmente. A percepção sobre o teor carregado de desejos como o prazer e o domínio sobre as coisas – que são facilmente identificáveis por qualquer ser humano, já que compõem características naturais; e por outro lado a escassez de valores projetivos que estejam acima do poder de realização.

Para comparar esse comportamento duplo, o personagem principal é facilmente vulnerável às drogas, enquanto encontra dificuldade ao ter que aceitar as próprias falhas para corrigi-las, como ocorre na cena com os psicólogos, ele nega o uso excessivo de drogas, e mal consegue distinguir o certo do errado, e assim, sem este contraste a interpretação geral torna-se problemática.

Na questão de imagem, o efeito da rotoscopia digital colabora no tom fictício contra a realidade. Passa uma sensação tensa sobre a guerra entre dois opostos que se recusam a encontrar harmonia.

Já no cenário desorganizado, e nos personagens em atrito que vivem os questionamentos e a insegurança nas relações – apesar de existir admiração; comprova de novo a característica dúplice e turva do mundo contemporâneo.

A conclusão é incerta. Um efeito que pode ser previsto e que já está acontecendo é a sensação vazia sobre a própria vida. É o que ocorre com o personagem principal. Em seu momento crítico ele é levado para o próprio lugar onde se cultiva a droga, a fim de ser salvo. Ou seja, de consumidor a produtor.

A conclusão do filme chama muita atenção ao tratar a própria droga como uma esperança dos problemas que ela mesma causa. O mais interessante é um conteúdo tóxico representar uma aparência sublime. Talvez, o autor queira dizer que somente outra ideologia é capaz de substituir outra. Em outras palavras, os problemas é que podem encontrar a solução.


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